Anatomia
19
junho

Extra – Diário de Bordo: Histórias de um anatomista

Depois de seis anos trabalhando no Laboratório de Anatomia da PUCPR, Luiz Aparecido Bueno das Dores coleciona histórias. Ele garante: gente com pavor dos cadáveres é o que não falta. É um que não passa por ali, outro que só usa o banheiro do outro lado. Luiz conta que dia desses a luz apagou durante uma aula e os alunos não pensaram duas vezes. Saíram todos correndo e só ficou o professor na sala com o corpo que servia para estudos.

O medo dos cadáveres é o mesmo que domina Solange, esposa de Luiz. Não há razão que a faça ir ver o marido no trabalho. Já as filhas adolescentes, Stephany e Pamela, visitam o pai sempre e olham tudo com a curiosidade que as acompanha desde crianças.

Doação

Outras histórias curiosas envolvem os colegas de trabalho e as visitas que Luiz recebe de tempos em tempos. Como a psicóloga aposentada Ledy Bley, que decidiu doar seu corpo para estudos após sua morte.

O desejo dela já está registrado em cartório e, nos arquivos do Luiz, além do atestado de doação, há uma carta escrita à mão, na qual Ledy conta sua vida. Com letra firme, fala sobre família e sua paixão pelo pôr do sol.

Ao final, uma breve piscadela ao leitor: “Como estou doando meu corpo para a PUCPR com muita satisfação, escrevi minha história para ser entregue aos amigos estudantes.

Apesar de saber da importância de um novo cadáver para o acervo do laboratório, Luiz torce para que demore a chegar o dia em que Ledy se torne companhia de trabalho. “Nada contra ela, mas é melhor ela continuar por aí, com saúde”, ri.

São inúmeros eventos que, ao longo dos anos, ensinam Luiz sobre o que, de fato, constitui um ser humano. Além de ossos e órgãos, temos histórias que escrevemos dia após dia e que não se encerram com nosso ponto final.

Imagem: Freepik

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