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09
junho

Comer bem para viver bem

Uma pesquisa realizada recentemente pelo Ministério da Saúde revelou que 54% da população adulta do Paraná está com sobrepeso. Desses, 19% são obesos.

Mas a obesidade não é o único problema relacionado à alimentação enfrentado pela população brasileira. A falta de segurança alimentar propicia o surgimento de muitas outras doenças graves, ocasionadas seja pelo consumo excessivo de agrotóxicos, seja pela falta de controle higiênico no manuseio dos alimentos ou, ainda, pelo exagero na quantidade de comida que se consome.

Segundo Cilene Ribeiro, professora do curso de Nutrição da PUCPR, isso tudo é resultado do aumento constante do consumo de produtos industrializados. “Antigamente, plantávamos o que comíamos, fazíamos a maior parte do alimento em casa. E hoje, o que acontece? Compramos tudo pronto! As coisas têm sido feitas para facilitar a vida intensa e estressante e com falta de tempo que as pessoas vivem, não tendo a saúde como foco”, analisa.

Entendendo a segurança alimentar

“Ter segurança alimentar nutricional é ter a garantia de acesso ao alimento, e que esse alimento seja de boa qualidade, de boa procedência, que realmente seja rico em nutrientes. Além disso, é a garantia de que os alimentos que consumimos supram não só a necessidade fisiológica, mas também palatável, quer dizer, que estejam dentro daquilo que cada um gosta e pode comer. A segurança alimentar leva em conta, ainda, a adequação do alimento em relação a questões culturais, étnicas e religiosas do indivíduo”, explica Cilene.

A professora explica que a segurança alimentar no dia a dia não depende apenas de fatores individuais, mas também de fatores coletivos – já que o acesso ao alimento, por exemplo, precisa de incentivos governamentais para acontecer. “Temos que ter a possibilidade da produção, da distribuição e do acesso a esse alimento para a população. Isso vai desde o apoio à agricultura realizada da forma correta, com um trabalho honesto e justo, até o uso de sementes adequadas, sem agrotóxicos. Tudo isso depende de políticas públicas, que vão acabar favorecendo e possibilitando (ou não) essa segurança alimentar à população”, analisa.

No nível mais individual, segundo Cilene, para ter uma segurança alimentar nutricional é preciso melhorar a qualidade da alimentação. “É necessário realizar um consumo equilibrado de alimentos. Fazer jus aos preceitos da boa nutrição: alimentos de boa qualidade, em boa quantidade, numa condição favorável. É possível fazer isso buscando conhecimento ou ainda contando com ajuda de profissionais”, explica.

Por uma vida mais orgânica

Cilene acredita que há um movimento em prol da melhora da alimentação das pessoas no Brasil. Ela conta que já existem algumas frentes de ações – não só comerciais, como governamentais – apoiando o uso da chamada “alimentação campesina” (do campo). De acordo com a professora, algumas leis estaduais exigem que a merenda escolar oferecida para as crianças venha, pelo menos, de 24 a 30% da agricultura familiar, de preferência com alimentos orgânicos.

“Ações como essas têm diversos objetivos, como o de manter o camponês no campo e também de fazer com que essa alimentação mais orgânica, da agricultura familiar, realmente se estabeleça enquanto meio de vida para os indivíduos que estão nesse meio de produção”, evidencia.

Cilene esclarece ainda que uma parcela da população também tem buscado alimentos mais naturais por conta própria. “Os produtos orgânicos viraram moda. Ainda bem! As pessoas têm ficado com medo do que tem sido divulgado sobre a enorme quantidade de agrotóxicos utilizados. Por conta disso, aqueles que possuem mais conhecimento e condições socioeconômicas, têm optado por uma alimentação diferenciada. No entanto, infelizmente, essa ainda é uma realidade vivida apenas por um público mais elitizado”, conclui.

Imagem: Designed by Freepik

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